Existe uma ideia enraizada de que homens e mulheres desejam coisas completamente diferentes na cama. A investigação mais completa já feita sobre fantasias sexuais — um inquérito a mais de 4.000 pessoas conduzido pelo investigador Justin Lehmiller — mostra uma imagem mais interessante: há diferenças reais, mas também muito mais semelhanças do que o senso comum sugere.
Segundo esse estudo, os homens tendem a fantasiar mais sobre múltiplos parceiros ao mesmo tempo — a maioria já fantasiou com trios, orgias ou cenários com mais do que uma parceira, e fazem-no com mais frequência do que as mulheres. Os homens também relatam mais fantasias ditas "proibidas" ou fora do comum, e um interesse ligeiramente maior em experimentar não-monogamia na vida real — um estudo aponta para cerca do triplo do interesse dos homens face ao das mulheres nesta área.
Do lado das mulheres, os dados mostram algo que surpreende muita gente: são elas que relatam pensar mais frequentemente em fantasias de submissão e outros temas ligados a BDSM, segundo um estudo publicado em 2024 na revista científica Sexuality & Culture, com quase 4.700 participantes. As mulheres também tendem a valorizar mais o contexto emocional e o cenário da fantasia — onde acontece, com que atmosfera — e reportam mais fantasias com outras mulheres, independentemente da orientação sexual que assumem no dia a dia.
O dado mais surpreendente do estudo de Lehmiller é este: trios, orgias e fantasias de dominação/submissão são extremamente comuns em ambos os sexos — não são, como o estereótipo sugere, "coisa de homem". Praticamente toda a gente, independentemente do género, já fantasiou com pelo menos um destes temas em algum momento. A diferença está mais na frequência com que cada fantasia surge do que na sua existência.
Um padrão consistente em todos os estudos sobre este tema é aquilo a que os investigadores chamam o "fosso entre fantasia e comportamento" — a distância entre o que se fantasia e o que realmente se quer experimentar na vida real. A esmagadora maioria das fantasias, em homens e mulheres, fica só na imaginação, e isso não é sinal de frustração nem de algo por resolver — é simplesmente como a mente explora cenários sem consequências reais.
Perceber que as diferenças entre géneros são mais subtis do que os clichés sugerem ajuda a normalizar as próprias fantasias, sejam elas quais forem. E perceber que fantasiar com algo não obriga ninguém a querer concretizá-lo tira pressão de conversas sobre o tema — falar abertamente sobre o que cada um imagina, sem julgamento, costuma aproximar muito mais um casal do que assumir à partida o que "homens gostam" ou "mulheres gostam".
Fantasias e fetiches: como explorá-los em segurança
Fetiches Mais Comuns e Como Explorá-los em Segurança
Como Falar de Fantasias com o Parceiro Sem Medo Nem Vergonha
Este artigo é só uma parte do site. Descobre anúncios reais perto de ti: