Tens uma fantasia que te envergonha — talvez de dominação, de um desconhecido, de algo que sentes que "não devias" desejar. E depois de a teres, vem a vergonha: "o que é que isto diz sobre mim?" A resposta curta é: provavelmente nada de anormal.
Estudos consistentemente mostram que a esmagadora maioria das pessoas — de qualquer género, orientação ou percurso de vida — tem fantasias que classifica internamente como "proibidas" ou "erradas". E a esmagadora maioria nunca as partilhou com ninguém, precisamente pela vergonha associada.
O cérebro tem uma capacidade única de separar imaginação de intenção — imaginar um cenário, mesmo intenso ou "proibido", não é o mesmo que querer vivê-lo, e muito menos vivê-lo sem consentimento de todos os envolvidos. A fantasia opera num espaço mental protegido, precisamente porque ali não há consequências reais.
Uma cultura que ainda trata sexualidade com desconforto e silêncio ensina, desde cedo, que certos pensamentos são "errados" — mesmo quando são estatisticamente comuns. A vergonha não é evidência de que a fantasia é anormal; é evidência de viver numa cultura que ainda não sabe lidar com sexualidade de forma honesta.
Lembrar, sempre que a vergonha surgir, que ter uma fantasia não define o caráter nem os valores de ninguém. Considerar partilhar com um parceiro de confiança, se isso trouxer alívio, sem obrigação de o fazer. E, se a vergonha for tão intensa que interfere com a vida ou o bem-estar, um psicólogo pode ajudar a desconstruir crenças instaladas há muito tempo, sem julgamento.
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